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Hj aconteceu algo comigo, algo de uma beleza indescritível e que eu já tinha esquecido: ficar verdadeiramente feliz por alguém. Explica-se: o sonho da minha ex vizinha era ter um filho, mas ela tinha sérias dificuldades para engravidar. É difícil conceber como isso pode afetar profundamente a vida de alguém em uma idade (a minha) onde um filho é a última coisa q as garotas desejam, mas creio, por constatação empírica, que as mulheres, via de regra, sentem uma incompletude visceral até terem um filho. Imagine-se como uma mulher bem-sucedida, com um casamento formidável e o desejo profundo de materializar essa união. Agora imagine que você não pode dar a si mesma e ao homem que ama o q vcs dois mais querem, e que a idade certa para ter um filho já passou faz alguns anos. É, é isso mesmo.
Pois bem, lá estava eu, praticando um de meus esportes favoritos (escolha e prova aleatória de sapatos) quando vejo essa ex-vizinha entrar, marido a tiracolo e mão sobre o pequeno volume no abdômen. Fui lá cumprimentá-la e fiquei sabendo que ela espera gêmeos. Sério, a minha vontade era dar o maior dos abraços nela, pular dentro da loja, sei lá, fazer qualquer coisa que demonstrasse o qto eu fiquei verdadeiramente feliz pela felicidade dela. Muitas vezes os amigos nos contam sobre suas realizações, nós damos os parabéns hipócritas e não pensamos seriamente no assunto. Dessa vez foi diferente, e esse sentimento não egoísta que experimentei é meu motivo de orgulho comigo mesma hj.
Tbm conheci uma outra pessoa formidável: a manicure. O rosto dela parecia saído de uma pintura renascentista, e tudo o q ela me contou sobre sua vida me fez parar para pensar. Pensar que eu tenho crises pq quero compreender coisas q estão além do meu alcance, enqto certas pessoas sequer têm tempo para pensar. Pensar q essa angústia q corrói minha alma por ter medo de falhar é mais uma expressão de quão egoísta eu sou. Esses dias me perguntaram: Camila, pq q tu chora por qqr coisa? Não é por qqr coisa, é pq eu tenho medo de ser humana, o q eu não tenho sido nos últimos anos. Humanidade é fragilidade, e, depois de tudo q aconteceu, se eu fosse humana por mais de dois minutos, teria desmoronado. Um dia, entretanto, algo começa a quebrar dentro da gente. Minha melhor amiga me disse uma vez: tu construiu uma barreira tão alta nesse teu coração q ninguém vai conseguir pular. Char, vc estava errada.
Tá, eu assumo a minha displiscência! Como os leitores deste humilde blog já sabem, eu só tenho tempo e paciência pra escrever em Ijuí, ou seja, aguardem novidades pra sexta.
Beijos pra todos