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E lá estava eu, no ônibus voltando pra Porto Alegre, quando me detive para olhar a paisagem. Casinhas de madeira nas cidades do interior, pessoas tomando chimarrão nas varandas e um velho de proporções paquidérmicas ressonando no bus.
Perdida em pensamentos, me dei conta de que deve existir uma força que proporcione equilíbrio a este universo, pois, de outra forma, a vida seria ainda mais insustentável. Imagine que cada pessoa é um universo particular....e isso é verdade! Pegue a si mesmo como exemplo. Cada um de nós, um microcosmos cheio de experiências, frustrações, expectativas, anseios, medos, desejos, aspirações, preferências, sonhos, preocupações, enfim, uma miríade de sentimentos e histórias que, fatalmente, tem que interagir com outros seres humanos que também são um microcosmos. E, por Deus, como é que o caos ainda não está formalizado?!!! Já pararam pra pensar: com tanta coisa pra dar errado, nós criamos laços afetivos com completos estranhos, e nem sempre esses laços são baseados em semelhanças.
Ao chegar em Porto Alegre e observar os edifícios com aquele sem-número de luzes acesas, cada uma representando uma pessoa ou uma família em suas casas, percebi o q tanto me assusta aqui: a complexidade desse sistema, e a sensação de que ele está fadado, irremediavelmente, ao colapso.